Colheita de pinhão é liberada no Paraná 03/04/2025 - 10:57
A colheita e comercialização de pinhão está liberada no Paraná desde terça-feira, dia 1º, segundo a portaria IAP 2015. A semente da araucária é um dos alimentos mais tradicionais da região Sul do País, mas é preciso respeitar o período de colheita para conciliar a geração de renda e proteger a reprodução da araucária, ameaçada de extinção. O Instituto Água e Terra (IAT) alerta também que somente pinhões que tenham alcançado o completo processo de maturação podem ser comercializados. A multa em caso de desobediência é de R$ 300, a cada 50 quilos de pinhão apreendidos, além da responsabilização por crime ambiental.
A definição do período de colheita do pinhão, somente a partir de primeiro de abril, tem justificativa. De acordo com Avner Paes Gomes, da área de Recursos Naturais e Sustentabilidade do IDR-Paraná, a portaria estabelece uma espécie de “defeso do pinhão”, garantindo que não haja a colheita precoce de pinhas, ainda verdes, e também preserva sementes a campo para a alimentação da fauna. Quando o pinhão cai ao chão, é uma oportunidade para animais, como a cutia, ajudarem a semear o fruto em outros lugares, garantindo a reprodução da araucária. Segundo Gomes, existem algumas variedades de araucária que têm sua maturação a partir de março, mas é necessário respeitar a limitação e iniciar a colheita apenas no início de abril.
Pinhas imaturas apresentam casca esbranquiçada e alto teor de umidade, o que favorece a presença de fungos, tornando o alimento até tóxico para o consumo humano. Se ingerido, pode prejudicar a saúde com problemas como a má digestão, náuseas e episódios de constipação intestinal. Também não é permitida a venda de pinhões trazidos de outros estados. No Paraná a safra, iniciada em abril, se estende até junho.
A cadeia produtiva do pinhão gera renda para milhares de famílias paranaenses. As regiões Central, Sul e Sudoeste concentram o maior volume de produção de pinhão no Paraná. Todo o pinhão comercializado no estado provém de remanescentes florestais nativos. Há 36 anos Flávio Zanette, professor da UFPR, desenvolveu a produção de mudas enxertadas de araucária. Com isso foi possível obter árvores mais baixas e que podem iniciar a produção com apenas quatro anos pós o plantio, enquanto as araucárias tradicionais só iniciam a produção aos 15 anos. Essa tecnologia vem sendo divulgada entre os produtores, com a formação de áreas com árvores matrizes que vão servir para multiplicar as mudas enxertadas.
Esse trabalho é conduzido pelos extensionistas do IDR Paraná em parceria com o pesquisador Ivar Wendling, da Embrapa-Florestas. Eles ensinam o agricultor a produzir a muda enxertada a partir de material coletado em suas próprias árvores. Entretanto, o cultivo de pinheiros enxertados ainda é incipiente no Paraná e não influencia a produção paranaense de pinhão. A ação do IDR-Paraná inclui também orientações para a agroindustrialização do pinhão. Uma iniciativa com a Coooperativa Provale, de Rio Branco do Sul, está incentivando a produção do pinhão pré-cozido e embalado a vácuo. Com isso será possível aumentar o tempo de prateleira do produtor e garantir um melhor preço para o produtor.
A fiscalização do comércio de pinhão é feita pelos agentes do IAT e pelo Batalhão de Polícia Ambiental-Força Verde (BPAmb-FV). A denúncia é apurada e, caso comprovada, um processo é instaurado para que seja lavrado o auto de infração ambiental. As denúncias podem ser encaminhadas à Ouvidoria do IAT, aos escritórios regionais, pelos telefones (41) 3213-3466 e (41) 3213-3873 ou 0800-643-0304 e, ainda, à Polícia Ambiental (41) 3299-1350.